domingo, 23 de julho de 2017

Auto Defesa: Evoluir e Adaptar é Preciso


Evolução do Combate Urbano




Na humanidade, temos a evolução dialética histórica, onde cada fato histórico, gera uma nova resposta criando novos fatos. Quando foi criado a primeira estrada de ferro na época da Revolução Industrial, houve uma evolução também na parte comercial, pois agora poderia ser transportado minério e madeira com muito mais velocidade, para empresas distantes que produziam diversos novos produtos gerando novos empregos e cargos na época. Outro exemplo importante foi na Era das Trevas, onde o mundo vivia em meio a fatos míticos, e graças a queda do poder da igreja tivemos o Iluminismo nos permitindo migrar para o mundo empírico, onde o homem pode questionar, e assim trilhar o caminho do conhecimento sem ser queimado em uma fogueira.

No mundo das artes marciais é a mesma coisa, desde o início do mundo surgiram diversas formas de defesa pessoal, já que o homem sempre teve a necessidade de se proteger, assim como sua família, e os seus bens. Muitas formas de defesa surgiram e desapareceram sem deixar registro histórico de sua existência. Nós temos registros de artes marciais desde a Africa antiga de 4800 antes atrás no Cairo, onde pode se ver figuras em posições de defesas e ataques, torções, chaves , e uso de armas como facas e bastões nas paredes em antigas construções  Na Grécia antiga também temos conhecimento do surgimento de diferentes formas de  artes marciais: Pancrácio uma mistura de boxe clássico e luta olímpica com golpes e técnicas de lutas que incluem socos, chutes, cotoveladas, joelhadas, cabeçadas, estrangulamentos, agarramentos, quedas, arremessos, derrubadas, imobilizações, torções, chaves e travamento das articulações; o Pugilanato, que éo antepassado do Boxe, e o Pále também conhecido como wrestling grego, que deu origem ao estilo greco romano moderno. Em várias regiões da terra mesmo qui no Brasil temos diversas artes marciais, a Capoeira, a Esgrima crioula,  Grappunch,  Haecon-do,  Jiu-jitsu brasileiro,  Karate Machida,  Karate Shubu-Do,  Kombato,  Morganti ju-jitsu, Seiwakai, Tarracá, Aipenkuit,,  Huka-huka, Idjassú,  Luta marajoara,  Maculelê,  Artes marciais mistas.


        Paredes com pictogramas demonstrando uma antiga arte marcial de 2800 AC no Cairo

 Mas é fato que vários países, inclusive o Brasil, quando houve a presença do governo ditatorial, as artes marciais não foram bem vistas, assim como o porte de armas, pois povo armado é um povo que pode se manifestar contra as injustiças do governo, por isso Hitler adotou a política do desarmamento, antes da tomada do poder pelo Nazismo. Nesse prisma, houve muitas artes marciais que sumiram, outras para sobreviver se submeteram a exigências do governo local, como por exemplo, deixar de ser uma forma de defesa pessoal, e se tornar uma arte de competição, com muita plasticidade e beleza, mas com pouca ou nenhuma efetividade real. Inclusive com muito investimento estatal nestes estilos, para incentivar a adoção dessa forma de arte com perfil mais folclórico. Décadas depois os praticantes repetem essas mesmas técnicas mecanicamente, sem saber que são movimentos criados apenas para competição e não para realidade das ruas, o que torna muito perigoso, principalmente para o lutador de rua.

Bruce lee, O Combatente Urbano?

Infelizmente, o grande público sem conhecer essas imposições governamentais ao longo da história, continuaram as práticas de muitas artes marciais, achando que  poderiam  proteger-se e aos seus entes queridos, mas teve uma pessoa que percebeu esse declínio, foi Bruce Lee. A sua importância não foi os cinco filmes que fez, as sua coreografias que fazia nos filmes, ou se ele lutava ou não na vida real. A sua real importância no campo de auto defesa e para os combatentes de rua, foi que devido a sua experiência em artes marciais diversas e em lutas contra membros de gangues na  rua, já que este é um dos motivos dos seus país te-lo mandado embora da China, ele descobriu que muitas coisas no campo de defesa pessoal estava errado. O papel de Bruce Lee foi popularizar a verdade das artes marciais que só poucos praticantes e estilos conheciam na época,  trazendo aos demais praticantes de artes marciais a luz, falando para que todos abrissem seus olhos, aos movimentos que só tinha plasticidade, e que buscavam pontuação em campeonatos onde há regras, e poderia matar o praticante na rua.
Em determinada entrevista ele disse que os chutes altos que ele dava nos filmes, bem como os gritos eram meramente para efeito dramático, já que qualquer pessoa com um conhecimento mediano de luta poderia pegar sua perna e derrubar, e em outra entrevista ele estava falando sobre uma série que ele estava querendo desenvolver sobre um monge no velho Oeste. Em certo momento ele disse ao entrevistador, que a série ficaria falsa se fosse feita no tempo moderno, pois se você ficasse querendo bater ou esmurrar meio mundo na vida real só por que sabe alguma luta, algum dia uma pessoa viria armada em outro momento e...ele fez um sinal com o dedo como se tivesse apertando um gatilho. Através desse conhecimento empírico, ele desenvolveu a sua filosofia de combate de rua o Jeet kune do.


 Na foto, a direita o Sifu Salem Assli, discípulo a trinta e três anos do Guro Dan INosanto, último discípulo vivo de Bruce lee, e a esquerda o Professor Marcos Antõnio do Centro MARS de Sobrevivêncialismo Urbano.


O Jeet kune do, o caminho do punho interceptador criado por Bruce Lee, não é um estilo de luta, o seu estilo de luta era o Jun Fan Gung Fu, o jet kune do era uma filosofia, a ideia maior onde qualquer lutador deveria questionar aquilo que fazia e reduzir ao mínimo os movimento para obter rapidez e eficiência nas ruas, ou seja na vida real menos é mais. Bruce Lee não estava preocupado com competições, ou graduações de faixas, ele queria que cada lutador atingisse a sua plenitude, e desenvolvesse seu próprio potencial, já que todos temos nossa particularidades, um é mais forte outro mais rápido e assim por diante. Não podendo existir uma forma de defesa massificada, onde o ensinamento e o desenvolvimento é igual para todos. Bruce não chegou a completar a segunda fase de win chun ou ter qualquer outra graduação, mas já tinha praticado diversas artes marciais e era autodidata, e principalmente, tinha muita experiencias com a realidade das lutas de rua. O Jeet kune do abriu portas para que muitos lutadores desenvolvessem todo seu potencial, sem ficar preso a regras de associações e federações. Hoje graças a essa filosofia muitos especialistas marciais conseguiram se libertar das amarras ortodoxas e colocaram um foco mais cientifico no combate urbano dando um novo passo.

Ciência Marcial



Hoje vários grupos de ensino de defesa pessoal incorporaram uma visão cientifica aos seus cursos: conhecimento em psicologia para poder analisar a situação gestual  do seu oponente, em uma escalada de violência, para saber se deve ou não negociar, fugir ou combater; anatomia e fisiologia humana conhecendo os verdadeiros pontos vitais; noções de criminologia; para saber como a mente dos criminosos funcionam e como atuam; conhecimento ético e legislativo para que seu aluno saiba agir dentro da cidadania, e muitas vezes até mesmo conhecimento em armas de fogo, já que é um absurdo voce pensar em aulas de desame de armas se nem mesmo conhece o objeto. Graças a essa evolução esses cursos táticos estão muitos mais acessíveis.


Sanford Strong, foi Policial durante  30 anos no Estados Unidos, e professor de sobrevivêncialismo Urbano, em seu livro, Defenda-se, Manual de Sobrevivêncialismo Urbano, ele cita um comentário de um amigo seu também professor defesa pessoal e policial, sobre instrução de defesa pessoal levando em conta cenário real:

"David Dye é membro do departamento policial de Costa Mesa desde 1967. As principais revistas de artes marciais já escreveram sobre ele, costuma aparecer nas principais redes de TV e é uma autoridade regularmente citada. Na qualidade de faixa-preta de oitavo grau que esta no Hall da Fama das Artes Marciais de todo o mundo, ele ainda dirige sua própria escola. De Acordo com Dye:

As Artes Marciais exigem tempo de disciplina - seis anos para conquistar a faixa preta do caratê, com muito suor. Se quiser alguma coisa mais fácil e rápida, as artes marciais não são pra você. Artes Marciais e sobrevivência a crimes são disciplinas muito diferentes. As técnicas de artes marciais vêm sendo usadas desde os séculos 17 e 18. As situações que envolvem crime hoje são muito diferentes e também o tipo de armas usado. Um instrutor de artes marciais que também ensina técnicas de sobrevivência a crimes precisa adaptar as formas tradicionais de tais artes ao mundo atual. Poucos instrutores são peritos nesses dois campos. A eficaz defesa contra o crime requer a criação de cenários de crimes da vida real. O treinamento tem de ser tão real e direto quanto possível, de modo que os alunos se lembrem dele sob a tensão gerada por um ataque de surpresa.

O Objetivo da minha escola é ensinar tanto o lado 'artístico' como o lado 'prático' do assunto, mas sempre separados. O dojo é um ambiente controlado, a rua é tudo, menos isso. 

Uma vez participei de um seminário de artes marciais para instrutores. O líder do evento puxou uma calibre 12 e a carregou com cartuchos - mas ninguém sabia que eram de festim. Ele se aproximou de um faixa-preta de sumô, encostando a arma em seu rosto. Todos os faixa pretas do recinto ficaram paralisados. Aquele instrutor, com o rifle, deu um pouco de realismo a reunião"

Assim, analisando o trecho acima, a defesa pessoal com certeza evoluiu ao longo da história, e tomaram vários direcionamentos, para aqueles que o foco não é competição ou demonstração de qualquer tipo, que querem apenas se sentirem seguros, caso seja necessário se protegerem ou sua família, devem procurar aquelas que evoluíram levando em conta a violência de nosso tempo, pois como eu sempre gosto de falar você tem o direito, o dever e a responsabilidade de proteger a sua integridade fisica, mental e moral, e dos seus entes queridos, e a Constituição é garantia desse direito, não deixe para quando o lobo chegar.

                                                                                   Marcos A. R. Santos


                        Entrevista com Bruce lee, veja o que ele fala sobre a realidade das ruas
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Links relacionados:

https://www.geledes.org.br/africa-a-origem-das-lutas-marciais/#gs.8Va=7W8

http://bruceleeinfocus.blogspot.com.br/2015/02/bruce-lee-e-sua-rotina-diaria-de.html

https://bruceleejkd.wordpress.com/biografia/



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