sábado, 8 de julho de 2017

Trafico Humano, Isso é Real?

 Seres Humanos Comercializados






Vivemos em uma sociedade onde qualquer um de nossos bens podem ser alvos de cobiça de predadores sociais, inclusive nossos corpos. Segundo pesquisas de organismos internacionais e estudiosos o tráfico de seres humanos é o terceiro maior do mundo perdendo apenas para o de drogas e o de armas. E as vítimas são vendidas para trabalhos escravos, transplantes de órgãos e prostituição.






Dados importantes, segundo relatório Global da OIT sobre trabalho forçado, sobre o tráfico de pessoas no mundo 2.450.000 pessoas estão no trabalho forçado em consequência do tráfico, 43% sofrem exploração sexual comercial e 57% sofrem outras formas de exploração econômica.

Na Europa, o tráfico aumentou dramaticamente desde a queda do Muro de Berlim, em 1989. Segundo estimativas do Instituto Europeu para o Controle e Prevenção do Crime, cerca de 500 mil pessoas são levadas por traficantes todo ano para o continente.
Europa Espanha, Suíça, Alemanha, Países Baixos, Itália, Reino Unido, Portugal, Suécia, Noruega e Dinamarca, localizados na Europa Ocidental, são os principais países de destino. A maioria das mulheres traficadas, vem de regiões do Leste Europeu (Rússia, Ucrânia, Albânia, Kosovo, República Tcheca e Polônia); do sudeste (Gana, Nigéria e Marrocos) e da América Latina, especialmente Brasil, Colômbia e República Dominicana.

 De acordo com o Relatório Global contra o trabalho forçado, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o lucro total anual produzido com o Tráfico de Seres Humanos chega a 31,6 bilhões de dólares. Estima-se que, para cada ser humano transportado ilegalmente de um país para outro, o lucro das redes criminosas chegue a 13 mil dólares ao ano.

Uma atividade de baixo risco para quem pratica tráfico de pessoas é uma atividade de baixos riscos e lucros altos. As pessoas traficadas podem entrar nos países com visto de turista e as atividades ilícitas são facilmente camufladas em atividades legais. Alguns exemplos são: o agenciamento de modelos, babás, dançarinas ou ainda, mediante a atuação de agências de casamentos.
O baixo risco que o tráfico de pessoas representa para os criminosos também pode ser ilustrado pelo número de condenações que são aplicadas. Em 2003, segundo o governo norte-americano, 8.000 traficantes de seres humanos foram levados à Justiça em todo o mundo. Desses, apenas 2.800 foram sentenciados.



Trafico de exploração Sexual 






O governo dos Estados Unidos calcula que, a cada ano, entre 600 mil e 800 mil pessoas são tiradas de suas comunidades para serem exploradas em outros países, sendo que 80% são mulheres e 70% delas acabam na indústria do sexo. No tráfico internacional de escravos  80% das pessoas vendidas como escravos sexuais têm menos de 24 anos e alguns são tão jovens quanto 6 anos de idade. Com certeza já vimos várias vezes  anúncios em jornais, ou senhores distribuindo em no centro das cidades panfletos onde se lê que se procura por mulheres jovens bonitas para trabalharem como modelos ou atrizes no exterior, ótimos salários mesmo sem experiência. E ao irem até o endereço de anúncio segundo Pesquisa Nacional sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes (PESTRAF) O levantamento MJ-UNODC,  encontram  mulheres aliciadoras,  mais velhas para conferir credibilidade e autoridade para “aconselhar” as vítimas a aceitar as ofertas vindas do exterior e, dizem que todos os gastos serão por conta da empresa. 

No Brasil, o tráfico para fins sexuais é, predominantemente, de mulheres e adolescentes, ,com idade entre 15 e 25 anos, que vivem em locais onde não há oportunidades de trabalho, a ausência de condições para suprir as necessidades humanas mais básicas, como alimentação, abrigo e vestuário, pode tornar-se um obstáculo intransponível à sobrevivência. Ou mesmo que as necessidades básicas estejam satisfeitas, não há perspectivas econômicas para o futuro. Essa falta de segurança dá origem a estresse, frustração e o desejo de maior estabilidade, que pode vir a ser buscada em outros lugares.
Oportunidades no exterior, Desejo por mais renda ou status Fuga da opressão e da estigmatização Desejo de aventuras também são fatores motivadores que fazem as vitimas viajar para outros países, independentemente de suas situações financeiras.
"Há cerca de 75 mil mulheres brasileiras se prostituindo em países da Europa, segundo
estatísticas da Fundação Helsinque. O crime tem à sua disposição 131 rotas de tráfico de
mulheres, segundo reportagem da Folha". (Extraído de ADITAL) Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

Ao chegarem no país destino é revelado finalmente a verdadeira situação das vitimas, sendo ameaçadas, confinadas e colocadas sob vigilância, e depois são colocadas para trabalhar em casas de prostituição, sofrendo todo tipo de abuso, físico e emocional,  geralmente sempre com uso forçado de drogas, abortos compelidos, privação de alimentação, privação de descanso, problemas no sistema reprodutor (em decorrência de doenças sexualmente transmissíveis), problemas nos pulmões (por falta de alimentação adequada, excesso de umidade nos locais das atividades, tabagismo e drogas ilícitas), problemas no sistema imunológico (em razão de HIV/Aids e outras doenças), gravidez indesejada; com afastamento compulsório de filhos; a condição de imigrante ilegal no país. E entre as diversas dificuldades de fugir da situação de cárcere estão: situação irregular no país e privação de passaporte, desconhecimento da língua, rígido monitoramento de vigias, violência física e psicológica, receio de colocar a vida dos familiares em risco ou de que eles tenham conhecimento da condição em que vivem.

Vítimas que sofreram abusos brutais de traficantes, como estupro grupal ou amputação de dedos como punição por desobediência, não conseguem encaixar as agressões dentro de qualquer sistema de valores de comportamentos humanos aceitáveis, perdem a capacidade de racionalizar sobre o ocorrido e entram em um processo de negação de que tenham passado por essas experiências uma condição psicológica conhecida como dissociação.




Trafico de Órgãos 




De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o comércio ilegal de órgãos ocorre quando estes são retirados do corpo com a finalidade de transações comerciais. A OMS justifica estas ações, afirmando que "O pagamento ... pelos órgãos provavelmente tira partido indevido dos grupos mais pobres e vulneráveis​​, mina a doação altruísta e leva à especulação e ao tráfico humano". Apesar destas ordenanças, estima-se que 5% de todos os órgãos envolvidos em transplante de órgão sejam comercializados. Pesquisas indicam que o comércio ilegal de órgãos está em ascensão, com um relatório recente da Global Financial Integrity estimando-se que o comércio ilegal de órgãos geram lucros entre $600 milhões e $1.2 bilhão por ano, com uma extensão longa em muitos países, incluindo mas não limitado a: Paquistão, Índia, África do Sul, Filipinas, Israel, Colômbia, região dos Balcãs, Turquia, Europa Oriental, EUA, Reino Unido, Macedônia, Canadá.


Em 2016 dois médicos foram presos  em Poços de Caldas (MG) suspeitos de integrar a suposta “Máfia dos Órgãos”, como ficaram conhecidas as investigações de nove casos de retirada e transplante irregular de órgãos de pacientes na Santa Casa do município mineiro a partir do ano 2000. Os médicos Cláudio Rogério Carneiro Fernandes e Celso Roberto Frasson Scaffi foram detidos e levados para o Presídio de Poços de Caldas. Foi a terceira vez que Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foi preso. As demais prisões foram por outros casos, como o “Caso Pavesi”. Já Celso Scafi foi preso pela segunda vez.

Os médicos foram condenados em 2013 pela remoção e suposto tráfico de órgãos e tecidos do pedreiro José Domingos de Carvalho, morto aos 38 anos em abril de 2001 na Santa Casa de Poços de Caldas. Este é um dos nove casos investigados na chamada “Máfia dos Órgãos”. Na época, o filho da vítima disse que acreditava que os médicos tinham "matado para fazer dinheiro".
Segundo a Justiça, os profissionais faziam parte de uma equipe médica que removia órgãos e realizava transplantes de forma irregular. 
Quatro médicos envolvidos na intermediação e comercialização de órgãos e tecidos humanos foram condenados pela 1º Vara Criminal de Poços de Caldas (460 km de Belo Horizonte) nesta quarta-feira (20) a penas de 11 anos e seis meses ... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/02/20/medicos-sao-condenados-por-trafico-de-orgaos-e-tecidos-humanos-em-minas-gerais.htm?cmpid=copiaecola
"Transplante não é um aborto que se possa fazer numa garagem", afirma o nefrologista - especialista em rins - Valter Duro Garcia, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). "É um procedimento complexo, que dificilmente poderia dar certo fora de um centro cirúrgico com uma equipe treinada de médicos e enfermeiros."
Mesmo que um bilionário acometido de insuficiência renal resolvesse montar um hospital com mão-de-obra capacitada, o roubo de órgãos continuaria a não ser a melhor opção. Não haveria como saber se o estudante sedado no motel tinha sangue compatível com o do receptor. Assaltar cadáveres como os da foto que abre esta reportagem também não seria uma alternativa viável, já que, com exceção das córneas, a maioria dos órgãos torna-se imprestável assim que o coração para de bater.

Em uma investigação realizada pela Polícia Federal no Recife, realizada em dezembro de 2003,  a Operação Bisturi revelou que uma quadrilha liderada por um militar israelense sobrevivente do Holocausto e um capitão reformado da Polícia Militar obteve rins de moradores da periferia da capital pernambucana. Em troca de cachês que começaram em US$ 10 mil e foram caindo até chegar a US$ 3 mil, os brasileiros iam a Durban, na África do Sul. Após uma semana de hospedagem num flat e mais alguns dias em ótimos hospitais, voltavam para o Brasil tendo deixado um de seus rins em corpos de israelenses ou norte-americanos.
Os traficantes pretendiam abandonar a rota sul-africana e fixar-se no Brasil, utilizando um hospital do Recife para a realização de transplantes clandestinos, mas acabaram presos antes de levar o plano a cabo. A conexão Recife-Durban foi destaque na CPI do Tráfico de Órgãos realizada em 2004 na Câmara dos Deputados e evidenciou que o Brasil havia entrado de corpo(s) e alma no mercado negro internacional de órgãos.
Não que o País fosse um novato nessa área. Dados do projeto Organs Watch, coordenado pela antropóloga Nancy Scheper-Hughes, pesquisadora da Universidade de Berkeley, na Califórnia, revelam que o Brasil coleciona histórias de roubo de órgãos e tecidos de cadáveres desde o regime militar.
O tráfico de órgãos é uma indústria que usa os corpos de pessoas pobres e saudáveis de países como Índia, China, Moldávia e Brasil como peças de reposição para ricos doentes de Israel, EUA, Europa, Japão. "Em geral, a circulação dos rins segue as rotas estabelecidas pelo capital, do sul para o norte, de corpos pobres para os ricos, de negros para brancos, de mulheres para homens ou de homens pobres para homens ricos", diz Nancy, que percorreu as principais rotas desse comércio, do Bazar de Órgãos de Mumbai, na Índia, às vielas das comunidades pernambucanas.






O Tráfico de Pessoas para Fins de Trabalho

 






 
A razão para o esmagador número de casos envolvendo vítimas traficadas para fins de trabalho é a mais conhecida de todas as mazelas, a pobreza. Tudo começa com pessoas humildes, normalmente de instrução precária, recebendo fantasiosas propostas de emprego, sendo ludibriadas e arrastadas para verdadeiros covis onde terminam sendo maltratadas, exploradas e usadas. Não importa se o tráfico visa abastecer a mão-de-obra nacional ou de outros países, o sentimento que transforma uma pessoa em vítima potencial é a esperança de se alcançar um melhor padrão de vida, ou mesmo a própria sobrevivência.





 

De acordo com um artigo do Washington Times de 2009, o Taleban compra crianças a partir dos 7 anos de idade para atuarem como homens-bomba.



A UNICEF estima que 300.000 crianças menores de 18 anos estão atualmente traficadas para servir em conflitos armados em todo o mundo.


 Conclusão

Como podemos ver, o traficante de seres humanos é um dos vários tipos de predadores sociais, muito poderoso, trabalha dentro de verdadeiras organizações criminosas super estruturadas, com todos os recursos as suas mãos, sempre buscando vitimas acessíveis e desinformadas como crianças e jovens.

                                                                                                
                                                                                                              Marcos Ribeiro


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